Adesão versus oposição ao tratamento

Texto : Dr. Júlio César de Almeida Barros

Negar a doença, não querer comparecer ao psiquiatra. Recusar uma consulta psiquiátrica, descartar a medicação.

– Não estou doido, este remédio vicia, não tomo medicamento de tarja preta.

São obstáculos, barreiras, resistências que pioram a psicopatologia. A crise psicótica agrava, aumentam a depressão e o alcoolismo avança impiedosamente.

Portanto se o paciente se comporta de modo oposto ao relatado acima, os efeitos terapêuticos são mais rápidos e até mesmo imediatos.

– Eu tenho que parar de beber, vou parar de beber, o remédio está me fazendo bem, estou dormindo melhor, diminuiu a minha ansiedade e não penso tanto na bebida.

– Estou mais animado, mais disposto e mesmo que eu melhore, vou continuar vindo aqui porque não quero sentir aquela coisa horrível, aquele mal estar, estou mais otimista, antes só pensava em morrer.

A aliança terapêutica, a contribuição e cooperação com o psiquiatra facilitam em muito o trabalho do médico, no sentido contrário, a oposição, a concorrência e a competição do saber causam transtornos consideráveis na relação paciente-psiquiatra.

– Eu li no Google que o melhor remédio para depressão é a fluoxetina, aquela minha amiga tomou o Zoloft e ela melhorou muito.

– Sim são dois excelentes antidepressivos, qual dos dois você gostaria de experimentar, qual posso prescrever.

– Acho que para mim a fluoxetina não vai dar certo, inclusive quando estive num clínico ele passou para mim e não foi legal,

– Então o Zoloft é uma boa opção, a Sertralina poderá te ajudar a combater a depressão,

– Não sei, eu li na bula que ele emagrece, estou sem apetite, já perdi peso,

– Eu estava pesando em prescrever para você o Citalopram

– Será que este é bom

– Acredito que sim.