Hipnoterapia Breve de grupo aplicada a psicologia e na psiquiatria

Hipnoterapia Breve de Grupo no Tratamento de Doenças Mentais

Hipnoterapia Breve de grupo aplicada a psicologia e na psiquiatria

Texto: Dr. Júlio César de Almeida Barros

AULA Nº 1

  1. Inspirado nos Seminários do Prof. Malomar Lund Edelweiss

  • Quem foi o Prof. Malomar Lund Edelweiss (breve apresentação da biografia)

  1. Organização do Grupo

  • De 5 a 15 pessoas

  • Sala com cadeiras arrumadas em U. O terapeuta em destaque no centro e os pacientes (participantes) do lado direito, esquerdo e de frente.

  • Outra opção seria as cadeiras arrumadas em círculo, mas neste caso o terapeuta não estaria em destaque. É recomendável que o terapeuta esteja em destaque.

  • Tempo de duração de 1 hora sem intervalo ou 1 hora e 30 minutos com intervalo na primeira parte terapia verbal, associação livre, técnica de utilização e porta do cliente e na segunda parte hipnose, técnica de relaxamento mental e comentários.

  • Se possível, sala aparelhada com um computador e monitor com tela de 14 a 20 polegadas.

  1. Escolha dos participantes

  • Depende da área de atuação do psicólogo: empresas, CAPS, ambulatório de saúde mental, instituições para tratamento de dependentes químicos.

Pode ser um grupo mais homogêneo, exemplo

… Somente por sexo e problema idêntico, mães nas quais os filhos são dependentes químicos,

… somente deprimidos,

…somente psicóticos,

  • Ou um grupo heterogêneo.

  1. O perfil, o estilo e a formação do terapeuta.

A formação do terapeuta terá uma influência na condução do grupo.  O acúmulo de conhecimento anterior do terapeuta, o que ele estudou quais as preferências e as escolhas que ele fez no decorrer de sua formação. Se o terapeuta estudou mais terapia comportamental, psicanálise, hipnose, educacional ou recursos humanos. Se o terapeuta é mais falante, mais de escutar, mais ativo, intervencionista.

  1. O local onde o terapeuta está realizando a terapia de grupo

Empresa, no Posto de Saúde, no consultório, numa Organização Não Governamental (ONG).

  1. O tipo de clientela

O nível sócio econômico, mais intelectual, mais primário, se o cliente está arcando com os custos da terapia ou se é gratuito pelo SUS, se é clientela conveniada, planos de saúde, Unimed, Bradesco, Vitalis,

  1. Como agendar os clientes

O próprio terapeuta ou por intermédio de uma secretária presencial ou por telefone.

  1. Os clientes já conhecem o terapeuta ou é a primeira vez em contato com o terapeuta

O terapeuta conhece os pacientes individualmente, já estão em terapia há alguns anos e o terapeuta propõe agrupá-los, ou não já inicia o primeiro contato em grupo. Aqui por exemplo embora não seja uma terapia de grupo poderá ser terapêutico para muitos, e já começamos diretamente no grupo, não nos conhecíamos anteriormente. Um curso embora não seja uma terapia pode de ser terapêutico. Uma simples conversa, um diálogo pode ser terapêutico.

AULA Nº 2

 

  1. Início da terapia

. O terapeuta adentra na sala depois que os pacientes estão devidamente sentados nas cadeiras.

. Algumas alternativas para o início da sessão:

  1. a) o terapeuta programou um assunto específico. Exemplo, o terapeuta planejou falar sobre estresse. Começa a terapia e durante uns cinco minutos expõem algumas considerações sobre o estresse, e termina perguntando aos presentes…

…  O que é uma pessoa estressada?

… Alguém já sentiu estressado?

… Quase sempre algum paciente falará sobre a experiência própria sobre o estresse. “eu não durmo”, “estou muito nervoso”, “fui ao médico outro dia estava passando mal e ele disse que não era nada, era psicológico e que estava estressado”

… Daqui para frente o terapeuta pode escolher a sequência,

… Alguém mais não dorme bem, sofre de insônia.

Primeiro o terapeuta estimulou oferecendo um tema, o estresse e agora usando da associação livre prossegue no desdobrando do estresse e opta por explorar o tema da insônia,

… Poderia ser o humor, que reporta sobre alguém que está nervoso,

… Ou ainda sobre as doenças psicossomáticas, passou mal e o médico disse que não era nada.

  1. b) o início da terapia sem tema previamente combinado, algum paciente está ansioso e angustiado com os próprios conflitos e toma a dianteira

… Começa a chorar e diz que não sabe o que fazer da vida porque separou da esposa

… O terapeuta escuta a manifestação daquela dor emocional e continua pedindo ao paciente para detalhar um pouco mais a história da separação e prossegue com a terapia, isto que chamamos de técnica da porta do cliente.

… O paciente simplesmente começa a chorar, mas permanece calado

… O terapeuta observa e diz você está emocionada prefere aguardar um pouco mais para falar desse sentimento ou prefere expor para nós a razão de estar sentindo assim, isto é o que chamamos de técnica de utilização.

  1. c) Lidar com pessoas difíceis

Num contexto das representações emocionais dentro dos limites de normalidade há pessoas mais colaborativas e cooperativistas.

De outro modo há pessoas chamadas normais, extremamente difíceis de lidar com elas. São chatas, enjoadas, falam demais, não interagem infantis, regredidas, não aceitam um não, são pirracentas, emburradas, autoritárias, arrogantes, centralizadoras, insatisfeitas. Egoístas e individualistas.

Alguns são competitivos, quer disputar conhecimentos, demonstrar que sabe mais que o terapeuta. Uma boa tese vem da pedagogia, o Professor sabe muita coisa que o aluno não sabe, e o aluno conhece tantas outras coisas que o professor desconhece, e ao trocar conhecimentos os dois saberão muito mais, é uma questão de tempo.

Às vezes as pessoas não são assim. Entretanto por uma fase em suas vidas, estresse, conflitos existenciais e doenças se comportam desta forma num primeiro momento e depois que vão melhorando se revelam generosas, interativas, colaboradoras e parceiras. Estabelecem o vínculo e a aliança terapêutica.

O terapeuta deve preparar para quebrar estas resistências. O terapeuta deve ser paciente, manter a calma e a tranquilidade, assertivo, não exasperar.

Aqui a técnica de utilização poderá ser fundamental.

Exemplo:

Um paciente disse que leu a bula do medicamento prescrito ou leu no Google que aquele medicamento não faz bem. O psiquiatra poderá dizer:

– você trouxe a bula, você pode nos informar sobre o que leu no Google.

– ele responde li que o medicamento inibe o desejo sexual ou que induz ao suicídio

– o psiquiatra pode responder… Muito interessante… São dois efeitos colaterais indesejáveis, por esta razão todos nós devemos ler a bula e buscar as informações, pois isto pode colaborar no tratamento e ajudar o médico a prescrever o medicamento mais adequado, você chegou a tomar algum comprimido ou somente leu a bula, você conversou com alguém que tomou a medicação.

– não tomei nenhum, apenas li na bula.

Como estamos no grupo, alguém interfere.

– eu tomei este medicamento e foi muito bom para mim

– é realmente!  É assim que acontece… às vezes alguns medicamentos são extremamente eficientes para algumas pessoas, mas para outras pessoas não funcionam, por mais bem intencionado que o médico esteja, por outro lado existem alguns tratamentos complicados, insuportáveis, difíceis, e mesmo que ofereça algum risco…efeitos colaterais terríveis… não existe alternativa, o paciente deve prosseguir com o tratamento. Veja! Entenda! … O caso de alguém submetendo a quimioterapia, quando toma a primeira sessão de quimioterapia, quase morre, cabelo cai, vomita e passa muito mal, mas não adianta dizer que irá interromper. O oncologista é determinado, mantém a próxima sessão de quimioterapia. O psiquiatra retorna ao paciente.

– Você sempre age desta forma, sempre lê a bula antes de tomar a medicação

– Sim.

– Eu também concordo com você que é importante ler a bula, mas para os meus clientes, … eu digo, … eu aconselho, …que leem a bula, mas também digo.. tenham a liberdade para conversar comigo, podem telefonar ou fazer como você está fazendo agora tirando suas dúvidas,… então lhe pergunto você prefere fazer um teste e tomar as primeiras doses ou prefere que eu prescreva outro medicamento e a gente possa ler a bula juntos?

– O que o Senhor acha?

– Como você ainda não tomou nenhum comprimido acho que vale a pena iniciar o tratamento, até mesmo porque na bula iremos ler a parte que fala dos efeitos benéficos e terapêuticos dos medicamentos.

– (o paciente ri e diz)… É mesmo, eu sou assim, vou logo lendo os efeitos colaterais, sou muito preocupado e sofro por antecipação. Está bom vou fazer uma tentativa, … caso eu sinta algum mal estar te ligo ou passo por aqui

-Ok!

 d) Uso da linguagem das possibilidades

Todas as pessoas possuem suas crenças e valores. É uma questão de sobrevivência, estas crenças e valores são adquiridos desde a hereditariedade somada as experiências e vivências no cotidiano. Portanto quando um paciente chega para conversar com um terapeuta ele leva para a terapia o próprio modo de funcionar.

Se o terapeuta optar por uma abordagem direta e confrontativa, questionando o modo de funcionar do paciente,  a tendência é o paciente se fechar em si mesmo e desistir do processo psicoterapêutico. Em algumas situações, pontuais e eventuais, ser claro e direto pode ser a única opção do terapeuta para dizer algo ao paciente.

Não é nada fácil colocar a própria carapuça, esfregar o espelho para que o cliente possa ver o próprio rosto poderá ser indigesto. Portanto vai devagar com o andor que o santo é de barro. Quando se coloca o espelho um pouco mais a distância amplia a imagem refletida e quanto mais aproxima o espelho mais restringe o que se vê por detrás.

No exemplo acima, quando o paciente disse que não tomou a medicação prescrita porque leu na bula sobre os efeitos colaterais. O psiquiatra poderia ser direto.

– Você tem que tomar a medicação,  já prescrevi esta medicação inúmeras vezes e nenhum outro paciente reclamou. Este medicamento é seguro e você vai melhorar.

O psiquiatra não está errado quando age desta forma, afinal de contas ele estudou, domina o conhecimento da farmacologia e cabe ao psiquiatra determinar o medicamento mais apropriado para aquela doença diagnosticada. Entretanto neste diálogo psicoterapêutico o paciente de imediato revela as suas convicções, as mesmas convicções ortodoxas, teimosias, de seu modo de funcionar que indica o porquê de ser um sujeito neurótico. Por esta razão o psicoterapeuta deve ser treinado dentro de uma perspectiva de maior flexibilidade, sutileza e perspicácia, a técnica de utilização e a porta do cliente.

O paciente afirma que leu a bula, esta foi a mensagem prévia, e o psiquiatra entra por esta porta... “eu também concordo que é importante ler a bula” e complementa com outras informações… “por isto eu dou a liberdade para os meus clientes conversarem comigo e telefonarem para mim para esclarecer as dúvidas”… técnica da utilização, o psiquiatra utiliza o tema da bula para afirmar que está disponível que atende o telefone para esclarecimentos, transmitindo aos demais membros do grupo a noção de confiança e interesse, reforçando o vínculo e estimulando a transferência.

Note, observe, o psiquiatra prossegue o diálogo… Então lhe pergunto você prefere fazer um teste e tomar as primeiras doses ou prefere que eu prescreva outro medicamento e a gente possa ler a bula juntos. Isto que chamo linguagem das possibilidades. Uma das possibilidades…tomar as primeiras doses , a segunda possibilidade… a prescrição de outro medicamento e ler a bula juntos. Como sei que estou diante de um paciente muito obtuso e opositor, tenho a preocupação de permitir de que ele tome a decisão, caso contrário, se o psiquiatra tomar a decisão o paciente novamente irá desenvolver um novo raciocínio para contrariar a decisão do psiquiatra. Como se diz, este é o paciente me dê o tema que serei contra. Merece destaque a palavra, prefere. Você prefere isto ou aquilo e também a pergunta. A importância da pergunta, que será um dos assuntos de outra aula.

 e) O conhecimento da especialidade e conhecimentos gerais

O profissional que escolheu trabalhar com psicoterapia de grupo deve conhecer profundamente a área de sua especialidade. No caso citado sobre a bula dos medicamentos, este assunto deverá ser de domínio do psiquiatra.

Os temas que surgem numa terapia de grupo a serem abordado serão daquela área específica do profissional. Se a terapia de grupo está sendo conduzida por um profissional que trabalha com alcoolismo, então deverá aprofundar nos estudos deste tema. Deverá ser um expert em alcoolismo

 

AULA Nº 3

Hipnoterapia de grupo em mulheres de alcoólatras

O índice de alcoolismo é elevadíssimo. Os dados estatísticos apontam para 13% da população urbana que estabelecem algum grau de dependência alcoólica. Para cada pessoa afetada pelo álcool mais outras quatro pessoas são prejudicadas, direta ou indiretamente.  A prevalência entre os sexos é predominantemente, o masculino.

Poucos são aqueles alcoolistas que procuram espontaneamente um serviço de saúde mental. Ao contrário o grupo familiar disfuncional e doentio recorre ao serviço de emergência à procura de ajuda. Assim, esposa e filhos, irmãos, mães, pais, sogros, sogras, enfim pessoas que estão próximas, de uma convivência mais íntima com os alcoolistas, frequentemente consultam médicos e/ou psicólogos. Razão pela qual denominei este grupo homogêneo de Grupo de Mulheres de Alcoólatras.

As queixas principais das esposas dos alcoolistas, numa primeira entrevista psiquiátrica são chamadas distúrbios psicossomáticos: tonteira, esquecimentos, nervosismo, impaciência, perda de apetite, palpitações, falta de ar, insônia, dor de cabeça, sensação de paralisia dos braços e das pernas, desmaios e visão embaçada. Para estas queixas somáticas a paciente deseja uma medicação que traga o alívio imediato de seus sintomas.

Um grupo homogêneo,somente com mulheres de alcoólatras para analisar o contexto e a situação familiar. Esclarecer, questionar e conscientizar de como o comportamento das esposas reforçam e agravam o uso da bebida alcoólica de seus maridos. E o mais importante a hipnoterapia de grupo irá proporcionar uma considerável melhora da auto-estima destas mulheres.

É possível traçar o perfil da personalidade e do estado emocional da mulher do alcoólatra e o nível de relação que estabelece com o marido. São passivas, fazem de vítimas, chantageiam emocionalmente as pessoas que as cercam, principalmente os filhos. Presa ao conflito de amor e ódio, de desgraça e o nascer de uma esperança, se agarra na fé cristã como tábua de defesa e salvação.

Para exemplificar, segue um pequeno relato de uma sessão:

-“Tinha muito problema com a sogra. Era enciumada. Falava contra a gente. Era obrigada a tolerar com paciência. No primeiro ano de casamento ele dormia fora de casa, tinha outras mulheres. Não ligava para mim, até fome eu passava. Ele só bebendo. As gravidezes foram muito difíceis. O terceiro filho nasceu doente e perdi o sexto filho. Eu perdi a vista direita. Mas tudo bem, peguei com Jesus Cristo para não separar”.

As relações do casal e familiares complicam num emaranhado de fatos confusos e hostis.

1)      Agressividade – O alcoólatra agride fisicamente com socos e pontapés, provocando lesões, hematomas dores por todo o corpo da esposa. São comuns as cenas de quebradeiras em casa, principalmente objetos de uso pessoais e domésticos (eletrodomésticos, cadeiras, mesas, etc.)

2)      Dinheiro – Perda total do controle entre ganho e gasto, entre receita e despesas. O casal passa para um estado permanente de devedor, o endividado. O marido a cada dia contribui menos nas despesas da casa e nas despesas com os filhos. Frequentemente as esposas queixam de ter passado fome em determinada fase da vida conjugal. São comuns, as estórias de que um dia já foi bem de vida, bom salário e nada faltava, mas depois tudo foi perdido. A situação financeira da família torna-se complicada e instável. É necessário ajuda de outras pessoas, tais como, pais, sogros, irmãos, tios e amigos. O grupo familiar adapta e acomoda diante desta nova realidade. A mulher demora perceber que precisa sair dessa passividade. Em alguns casos se conscientiza desta realidade e muda de comportamento, assume uma atitude pró-ativa. Se não trabalhava começa a trabalhar e possuir rendimentos próprios. Se já exercia alguma atividade profissional começa empregar melhor os recursos obtidos. Aumenta a disputa de poder advindo do dinheiro. Um esconde do outro quanto ganho e o casal está cada vez mais distante nas aplicações e nos objetivos dos gastos. A mulher assume as responsabilidades da família e ao marido sobra mais dinheiro para beber.

3)      Relação Sexual – Totalmente disfuncional. Na mulher predomina a frigidez secundária ao péssimo convívio conjugal e no homem por ação tóxica do álcool a falta de ereção ou a ejaculação precoce ou retardada.

4)      Os filhos – São os que mais sofrem. Como dizem suas mães:

– “são muitos revoltados com o pai”

Os filhos são dominados por pensamentos e sentimentos ambivalentes, amor versus ódio, raiva, magoa versus perdão, ajudar ou deixar para lá, vivenciam uma extrema angústia. Os filhos sentem pena da mãe, coitada dela. A relação de amor com o pai está de mal a pior. Dependerá do grau de agressividade do pai. Se nos momentos de abstinência o pai for amoroso e atencioso ainda haverá alguma compensação. Se a embriaguez for diária os filhos desprezarão o pai. Por outro lado diante da indiferença do filho a própria mãe e outros familiares dirão;

– “ele é seu pai, você tem que respeitá-lo, isto não vai acontecer mais, é só quando ele bebe que fica assim, seu pai é gente boa, fora da bebida ele é uma pessoa maravilhosa”

Estes comentários causam certa confusão nas convicções do filho. Sente indeciso e não sabe se acredita na recuperação do pai. Não há o que respeitar, mas muito que temer. Os filhos vivenciam um estado permanente de alerta e às vezes pânico. Muitas vezes se perguntam:

– “O que vai acontecer da próxima vez? Vai bater na mãe? Vai chegar em casa carregado por alguém? Será que a polícia vai prendê-lo?”

A mulher passível e imersa nas próprias fraquezas utiliza o filho como suporte e apoio. E comum as esposas afirmarem:

– “Não separo do meu marido por causa dos meus filhos”.

Esta é uma expressão perversa e maligna. Neste momento a mulher inconscientemente transfere toda responsabilidade e culpa do mau relacionamento conjugal para os filhos. Instantaneamente, como se ela estivesse dizendo, porque fui ter estes filhos, se não os tivesse tidos estaria longe e acabaria o sofrimento dela. Isto é apenas mais uma justificativa, porque mesmos as mulheres que não tiveram filhos e são casadas com maridos alcoólatras dificilmente se separam judicialmente. Judicial, porque na verdade o casal está separado afetivamente há muito tempo.

Ainda sobre os filhos, as mães alimentam esperança de boas novas:

– “Quando eles crescerem eles me ajudará”

Deste desejo, advirá o chamado filho identificado, seja para manifestar as fantasias de grandes realizações ou para transmitir toda uma estrutura recalcada e angustiante.

 1)      Baixa auto-estima do casal- O alcoólatra tem introjetado em sua personalidade um profundo complexo de inferioridade que transmite a toda família. A esposa regride a um estado de extrema dependência nos seus valores de costumes, culturais, morais e ético, se considerando a última em tudo.

O grupo terapêutico busca promover basicamente a consciência da mulher do alcoólatra a um nível elementar de racionalidade, tentando tirá-la da passividade. A proposta é reforçar a auto-estima do casal. O caminho a ser seguido é fazer com que a mulher analise todos os pontos referidos neste breve escrito, compreendendo o processo dela e partir para uma nova atuação dentro do núcleo familiar. Uma atuação que diminuirá os conflitos aliviará a ansiedade e a angústia. Acabando ou diminuindo sensivelmente com os sintomas que motivaram consulta psiquiátrica.

Indução hipnótica para elevação da auto estima e reforço do ego das mulheres de alcoólatras

Permita-se estar aí sentado nesta cadeira, fechar os olhos acomodando agradavelmente, confortavelmente, de olhos fechados. Voltando-se para si, para dentro, utilizando de sua respiração. Respire fundo, mais e mais fundo. Nos dias de hoje não é nada fácil encontrar um tempo, parar, fechar os olhos, respirar fundo, mais e mais. E à medida que você estar aí de olhos fechados, voltando para dentro, mergulhando fundo e você pode se perguntar ainda que às vezes não encontre a resposta.

Será eu a mesma pessoa quando ainda estava no colo de minha mãe. Quem sou eu, serei a mesma pessoa de quando brincava no pátio da escola.

Quem sou eu, serei a mesma pessoa de quando tinha 13, 14 ou 15 anos e adolescente e corava meu rosto toda vez que alguém pronunciava meu nome.

Quem sou eu, serei a mesma pessoa quando jovem, cheio de sonhos e planos. Casar, ter filhos, estudar, formar, trabalhar, ganhar dinheiro, adquirir, possuir.

O que mudou em mim, quem sou eu aqui agora, diante das forças da natureza e do universo, diante da luz do sol, água da chuva, do brilho das estrelas, do verde das plantas e do ambiente onde existo.

Entre milhões e milhões de pessoas, quem sou eu.

Permita-se continuar assim de olhos fechados por mais alguns momentos, alguns minutos, alguns segundos, agora eu aqui e você aí em silêncio, aprofundando ainda mais seu estado de bem estar e conforto, mais e mais, confortavelmente.

Você pode aproveitar este momento, este instante para voltar no tempo e espaço, e realmente há algo de muito interessante, para voltar no tempo e espaço, que nos permitir aprender sobre si mesmo, sobre você mesmo, e eu considero uma fonte de aprendizagem, quando saímos de casa pela primeira vez. Eu não saberia lhe dizer como era sua vida de solteira, se era melhor se era pior, por qual razão você se casou…. Algumas pessoas se casam por opção, por que quer sair de casa, por escolha própria, realizar o sonho de construir uma família, viver em paz , ter a própria casa, na sua casa com o seu marido, ter filhos, e com certeza houve momentos bons … agradáveis, festa do casamento, lua de mel, viagens, nascimentos dos filhos,  Veja, imagine estas cenas com todos os todos os detalhes e perceba o significou para você, se você aprendeu e amadureceu.  

Respire profundamente, mais fundo e permita-se permanecer assim mais um pouco de olhos fechados e respire profundamente, daqui a pouco você vai voltar vai abrir os olhos, eu vou contar de um a cinco e você vai abrir olhos despertando para o aqui e agora, conservando consigo tudo que for possível para seu aprendizado e seu bem, mas você não tem obrigação de coisa alguma e nem mesmo de guardar o exato significado das minhas palavras, assim de um a cinco abrindo os olhos voltando para o aqui e agora, um… dois…três …quatro e cinco…pode abrir os olhos.

Hipnoterapia de grupo breve em alcóolatras e dependentes químicos

Vale registrar que quando alguém por inciativa própria procura um tratamento estamos diante de algo importante,  o desejo da cura. O desejo de melhorar e se vê livre daquele mal estar. A vontade do sujeito em querer ajuda é um acréscimo propulsor extremamente vantajoso na relação terapeuta cliente

Quando ocorre o contrário, o indivíduo é trazido por alguém, ele não quer, ele não deseja tratar, ainda que a droga esteja lhe matando, o paciente se alimenta de um prazer macabro, o trabalho do terapeuta é árduo e espinhoso. Infelizmente tanto nos alcóolatras quanto nos dependentes químicos predomina a pulsão de morte se opondo a aliança terapêutica.

O terapeuta deve aproveitar as oportunidades e as razões pelas quais os alcóolatras e os dependentes químicos se fazem presentes à consulta. As principais causas que conduzem os pacientes aos consultórios de psicologia, instituições ou serviços de emergências são:

– dos próprios sintomas (tremores, alucinações, delírios, dores gástricas, anorexia, insônia);

– as pressões de familiares e/ou seus representantes (mãe, esposa, marido, filhos, irmãos e amigos);

– pressões das empresas onde trabalham (através da medicina do trabalho, serviço social, chefes e encarregados), dos serviços assistenciais da sociedade (hospitais, entidades e associações),

– pressões dos serviços responsáveis pela manutenção da ordem (polícia, ministério público, conselho tutelar).

Então não há um pedido consciente de ajuda por parte do paciente. O psiquiatra não pode perder de vista este detalhe. A negação da doença é algo sabido, óbvio para quem trabalha com o alcoolismo. Não há controvérsia quanto a isto. Porém são inúmeras técnicas psicoterápicas utilizadas objetivando diminuir ou eliminar esta resistência. A hipnose é uma delas e com índices elevados de êxitos.

Também vai depender do quadro psicopatológico da emergência alcoólica. Por isto vou enumerar algumas variáveis:

1) Abstinência

2) Síndrome delirante alucinatória

3) Agitação psicomotora com quebradeiras e tentativa de agressão a familiares

4) Agitação psicomotora com intensa ansiedade, logorréia e hostilidade verbal.

5) Agitação psicomotora com piromania

6) Agitação psicomotora com tentativa de suicídio

7) Paranóia

8) Depressão, sem tentativa de suicídio.

9) Depressão, com tentativa de suicídio.

10) Distúrbios clínicos: anorexia, desidratação, hipertensão, acidente vascular cerebral, diabete.

11) Problemas escolares, com distúrbios de comportamento.

12) Distúrbios do sono

13) Amnésia sem agitação psicomotora

14) Amnésia com agitação psicomotora

15) Crise convulsiva por intoxicação

16) Embriaguez comum com distúrbio de comportamento

Outro fenômeno que merece destaque é que quase na totalidade dos casos o alcoolismo e a dependência química vêm de longa data, é uma doença crônica, de alguns anos, normalmente com duração superior a dez anos. O modo de funcionar da família e o enquadramento desta homeostase familiar evidentemente doentia, está de tal modo cristalizada, que o terapeuta vai deparar com fortes resistências para introduzir algumas ideias inovadoras saudáveis.

Tanto o álcool quanto a droga ocupa um papel central na vida do sujeito dependente. Exemplos:

– Se o empregado termina o expediente do seu trabalho ao invés de ir direto para casa ele para num bar e somente depois de embriagar-se chega à sua residência.

– Se um jovem vai a uma formatura a prioridade não é dançar e confraternizar, a prioridade é fumar, cheirar, beber,

A questão da responsabilidade provocou outro raciocínio, então cabe a família continuar assumindo este papel. Está resolvida, toda vez que internar algum alcoólatra ao menos no período crítico da compulsão alcoólica, alguém da família permanecerá como acompanhante. Afinal de contas não é isso que os familiares fazem o tempo todo. Assumem as responsabilidades de seus bêbados. Por que o psiquiatra assumir este lugar?

No âmago, o desejo dos familiares é transferir a responsabilidade para o psiquiatra. Porém a responsabilidade não é do psiquiatra, a responsabilidade em primeiro lugar é do próprio paciente, em segundo lugar dos familiares. A responsabilidade do psiquiatra é propor o tratamento e quando aceito executar o tratamento.

A maneira como os familiares entendem a questão da responsabilidade é patológico, Então aplico um aprendizado da hipnose, na qual se chama utilização. Utilizarei a família. Raciocinei, daqui para frente toda internação de alcoólatra, durante as primeiras 72 horas, será exigido à permanência de algum acompanhante indicado pela família. Em suma, alguém da família.

Este foi um grande achado, nunca mais houve fuga e por tabela estou aprendendo mais profundamente sobre as relações familiares e seus alcoólatras. Obviamente, além do aprendizado, faço intervenções psicoterápicas, de grande valia na recuperação destes pacientes. Estas internações conjuntas dos alcoólatras e acompanhantes (familiares) foi uma revolução nos meus conceitos.

Veja bem:

  • Nos hospitais psiquiátricos tradicionais, o paciente é hospitalizado junto aos demais pacientes com psicopatologia de toda natureza e lá permanecem nas chamadas enfermarias. São proibidas as visitas. Inclusive, argumentam que as visitas prejudicam o tratamento. Em tese, as visitas pioram o estado dos pacientes. Até onde tenho conhecimento esta tem sido a regra. O paciente é separado dos familiares, supondo que esta conduta irá beneficiá-lo e contribuirá para cura, ou seja, deixar a dependência alcoólica.

 

  • Alternativa, mais atual, são os chamados centros de recuperação para alcoólatras, também denominadas clínicas fazendas. Nestes centros, o paciente é internado voluntariamente, geralmente não são atendidos por psiquiatras e a terapêutica é focada em alguma doutrina. Na maioria, doutrina religiosa, mantenedora do centro de recuperação. Optam por terapias de auto-ajuda, reforço do ego, tarefas domésticas, trabalhos agrícolas. Também apregoam que o melhor para o paciente é estar distante dos familiares e as visitas devem ser mínimas. São internações de longa permanência.

Voltando a técnica de utilização e internação com acompanhantes, uma revolução nos meus conceitos. A utilização do sintoma é coisa antiga, tanto na medicina como na psicanálise.  Na medicina, a observação e catalogação dos sintomas desenham a patologia e a partir daí faz o diagnóstico. Batiza a doença com um nome mais compatível ao conjunto de sintomas apresentados pelo paciente. Exemplos: esquizofrenia, depressão, síndrome de pânico. No sentido freudiano o raciocínio é o mesmo, acresce a visão de que as maiorias dos sintomas são de natureza inconsciente e abre uma vastidão da leitura patológica do inconsciente.

Na psiquiatria biológica, o objetivo é eliminar o sintoma