Reconhecer que está doente emocionalmente

Texto: Dr. Júlio César de Almeida Barros

A paciente relatou no grupo:

– Eu não estava bem, não queria conversar com a minha sogra. Onde ela estava eu evitava. Cismei que ela queria tomar o meu filho. Estou morando com ela. Casei e fui morar com ela. Meu marido é muito agarrado com ela. Agora estou melhor e não é nada disto. Vejo as coisas com outros olhos. Os remédios me ajudaram. Com os medicamentos minha mente voltou ao normal.

Quando a mente adoece, a percepção está alterada. Grandes partes dos problemas estão relacionadas à convivência.  No caso citado acima. Uma jovem, que se tornou mãe muito cedo, precipitou o casamento. Pelas circunstâncias foram obrigados a morar com a mãe do rapaz. A gravidez precoce adiantou as decisões.

Dividindo por partes:

  1. O namoro.

  2. A gravidez inesperada.

  3. O casamento

  4. O parto e o nascimento da criança.

  5. A jovem afasta dos pais e vai morar com a sogra.

  6. A jovem adoece: não dorme, desenvolve uma paranóia e sente confusa e não consegue realizar as atividades de rotina.

  7. Consulta com o psiquiatra. É medicada com benzodiazepínicos, venlafaxina. Submete-se a duas sessões de hipnoterapia de grupo.

 

Na terceira consulta comparece carregando no colo o filho de cinco meses e afirma: “estou muito bem, estou curada, minha sogra é muito boa, ela só quer o meu bem, eu achava que ela queria tomar o meu filho de mim”.

Foi muito importante providencial a intervenção psiquiátrica. As intervenções psiquiátricas melhoraram os sintomas e recuperou a sanidade da paciente.

As causas que desencadearam a síndrome de pânico e o transtorno de ansiedade ainda persistem. Precisam ser elaboradas. As elaborações dos conflitos passam por uma compreensão da consciência. Estar consciente da enroscada onde a paciente adentrou possibilitará a manutenção do equilíbrio emocional da paciente. Ela sozinha dificilmente conseguirá encontrar a tranqüilidade necessária para conviver neste ambiente tóxico.